• Social Software

O ser humano tem uma capacidade enorme de produzir em grupo colaborativamente. Na Web nos últimos anos surgiram aplicações que abriam a possibilidade das pessoas se auto organizarem para compartilharem informação e conhecimento. Isto é algo que vai muito além das técnicas de desenvolvimento de software. Trata-se de um fênomeno cultural e social inevitável, mas que por incrível que pareça, ocorreu entre vários acasos. Exemplos a seguir:

  • Wiki: O sujeito Ward Cunningham estava de saco cheio de ter que editar um site onde boas práticas de desenvolvimento de software eram relatadas (Design Patterns). As pessoas viviam pedido para ele atualizar isto ou aquilo. Ele então convidou outras pessoas para que contribuíssem escrevendo de forma informal suas técnicas de programação compartilhando estas idéias com todos que acessavam seu site. Para viabilizar esta edição, ele criou uma aplicação web onde cada um podia contar sua história e qualquer um podia editar o que foi escrito melhorando o conteúdo da informação.
  • Blogger: O Blogger foi o primeiro site de blog a ser largamente utilizado. No entanto, originalmente ele era apenas um módulo de um sistema muito maior de gerenciamento de projetos. Ninguem lembra mais o nome do tal gerenciador de projetos mas o Blogger foi comprado pelo Google.
  • Flickr: Uma empresa estava desenvolvendo um jogo online e teve a brilhante idéia de permitir que os jogadores pudessem compartilhar fotos entre sim. O espanto foi que os jogadores deixaram de ter interesse no jogo e passaram a apenas compartilhar fotos.

Como pode se vê, os desenvolvedores de software não tinham idéia do que estava acontecendo. As pessoas não deveriam usar essas ferramentas desse jeito, mas no entanto elas estavam e esta tendência foi se espalhando e redefinindo os padrões do que uma aplicação web deveria ser.
A este movimento comportamental suportado principalmente por uma melhora significativa na interface (usabilidade), deu-se o nome de Web 2.0. Pode parecer um nome pretensioso, mas há base comparativa que justifica o 2.0. A mais ou menos cinco anos atrás, a Web era apenas uma sobra do que é hoje.
Desenvolver aplicações web com caráter de redes socias exige muito mais conhecimento do comportamendo dos usuários do que técnico. É muito mais importante criar algo realmente útil ao usuário do que algo com centenas de funcionalidades que apenas ajudam a confundi-lo.
Todas as redes socias de sucesso apresentaram algo em comum: Elas começaram simples, com uma funcionalidade banal mas extremamente útil ao usuário. Apenas depois, com os usuários atraídos e confiantes no que utilizavam, outras funcionalidades passaram a ser incluídas rápida e freqüentemente.

Uma rede social deve obedecer a um modelo mental simples compartilhado por todos os usuários e deve focar em poucas funcionalidades que criarão algo original com comprovada utilidade para quem a utilizar

Michael Nielsen, Shirky’s Law and why (most) social software fails, 2008

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